Igrejas

IGREJA DE SANTA MARIA MAIOR

Também conhecida por Igreja Matriz.
Arquitectura religiosa, românica/renascença. Portal românico da fachada principal e portal renascença da fachada Norte.
Primitivo templo de Idácio "O Límico".
Os primeiros escritos sobre ela datam das Inquirições Afonsinas de 1259. Terá sido reconstruída pouco antes dessa época, talvez no século XII, sobre os escombros dos templos anteriores, seguindo os modelos do estilo românico. No topo da torre está esculpida uma imagem tosca representando Cristo (o Cristo românico, em majestade, designado por Pantocrator). 

Nas costas da capela-mor, na parte posterior da igreja, na fachada de topo, reforçada por contrafortes, também do período  manuelino, existe uma escultura em pedra de Santa Maria. Já no século XVI, no tempo de D. João III, a igreja foi restaurada, seguindo os modelos renascentistas da época. Foram-lhe introduzidos os novos pórticos, em rigoroso estilo neoclássico, e foi-lhe alterada a capela-mor, cujo tecto foi feito em abóbada polinervada, como era gosto dominante. Duzentos anos mais tarde, no século XVIII, foram-lhe feitas janelas nas paredes laterais, onde foram também construídos altares. Foi ainda remodelada a capela do Santíssimo, à direita da capela-mor, que passou a estar encimada por uma lanterna.

Ainda actualmente o interior desta igreja tem três naves, separadas por robustas colunas graníticas cilíndricas, unidas, por sua vez, por arcos de volta inteira. Conserva o seu ambiente românico, escuro e recolhido. Para isso contribui também, além do demais, o tecto escuro, em madeira de castanho, à vista, que suporta o telhado. A fisionomia actual deste templo é o resultado de profundas obras de restauro, levadas a cabo em 1968.

Durante muito tempo, esta igreja de Santa Maria Maior foi a sede da única paróquia de Chaves.  Assim era em 1386, altura em que, segundo as crónicas de Fernão Lopes, após conquistar a praça, o Mestre de Avis e o Condestável, aqui ouviram missa.


 
IGREJA DA MISERICÓRDIA

Localizada na Praça Caetano Ferreira, fronteira à Igreja Matriz e próxima do castelo, em pleno centro histórico. Construída nos século XVII, esta igreja é tipicamente barroca. A fachada do templo, granítica, antecedida de uma escadaria também de pedra, está pormenorizada e cuidadamente decorada com pilastras e janelas.    O interior, de uma só nave, tem as paredes inteiramente revestidos de azulejos decorados, do século XVIII, ilustrando vários motivos e cenas bíblicas (Bodas de Canã, Ressurreição de Lázaro, Multiplicação dos Pães).

No tecto, de madeira pintada de meados do século XVIII (l743), está também representada a cena da Visitação.  Por último, o altar de talha dourada, é profusamente decorado com querubins, cachos e volutas.
 
IGREJA DE S. JOÃO DE DEUS

Fio construída no tempo de D. João V, século XVIII, e no seu frontão ostenta as armas reais.  Foi originariamente designada por Capela de São João de Deus por ter sido erguida em anexo a um hospital militar, criado na Restauração e confiado à ordem dos Frades de São João de Deus.  Neste hospital veio a funcionar mais tarde, já em finais de setecentos, a "Aula de Anatomia e Cirurgia de Chaves", a qual era uma das quatro ou cinco escolas de cirurgia existentes em Portugal no reinado de D. Maria I.
A igreja aglomera elementos neoclássicos e barrocos. Tem uma fachada altiva, a contrastar com a rua estreita e acanhada em que se localiza, nas proximidades do rio Tâmega, na respectiva margem esquerda. O seu interior, não sendo muito grande, é airoso, por ser muito alto. É abobadado e encimado por uma lanterna que lhe dá luz.  Tem uma só nave, de planta octogonal. No conjunto, esta antiga capela real, agora transformada em igreja paroquial, é muito bonita.
 
CAPELA DE SANTA CATARINA

É altiva e airosa, em granito nu. Está dominada pelo seu pórtico, coroado por um frontão triangular e ladeado por pilastras, que delimitam lateralmente o templo.  No seu interior merece realce o rico altar em talha dourada, onde figura uma imagem da padroeira da igreja. Esta pequena capela tem uma história estranha e complexa: foi fundada em 1279, sendo então construída no "sítio do Toural".  Neste local, algures entre o castelo medieval e as antigas termas romanas, foi também construída uma albergaria, anexa à capela, onde eram acolhidos, entre outros, os peregrinos de Santiago de Compostela. Capela e albergaria foram destruídas no início do século XVII como medida de protecção da praça militar, por obstarem ao tiro da artilharia.

Foram reconstruídas, quer a capela, quer a albergaria, noutro local, que é o actual, em 1681.  A capela é património municipal; a albergaria foi substituída por um moderno prédio de vários pisos.
 
CAPELA DE NOSSA SENHORA DO LORETO

Conhecido popularmente por Capela da Santa Cabeça.  A sua fachada é graníticas e tem altas pilastras; seguindo o estilo bramantino, está encimada por um frontão curvo, cortado por uma cruz.  Também o pórtico está encabeçado por um frontão curvo, sobre o qual existe um óculo.  Esta bonita igreja foi fundada em 1696, junto de uma casa senhorial, que ficava à sua direita, a qual não existe actualmente. Pertencia então ao Abade de Monforte.  Diz a tradição que aqui estão depositados os restos mortais de São Bonifácio Mártir, o qual é milagreiro, fazendo bem a pessoas e animais mordidos por cães raivosos.
 
CAPELA DE NOSSA SENHORA DA LAPA

Situada em local próximo ao do Forte de São Francisco, na colina fronteira à zona medieval da cidade. Diz-se ter sido mandada construir por um abade, na segunda metade do século XVIII, o que se comprova pelo brasão existente na sua fachada principal. Está construída em estilo barroco, com as fachadas profusamente decoradas por frisos, pilastras e volutas, os quais são de granito trabalhado, em relevo.  Após obras de restauro, em 1987, todas as fachadas se mostram agora, de pedra nua.
 
CAPELA DE NOSSA SENHORA DO PÓPULO

Situada no bairro de Santo Amaro, foi fundada no século XVI (l5l6) e pertence a particulares.  Era ponto de paragem frequente para os peregrinos de Santiago de Compostela que passavam por Chaves.
 
CAPELA DO SENHOR DO CALVÁRIO

Capela votiva, foi construída em 1672, consoante o atesta a inscrição que tem na frontaria.  Está erguida no cimo de uma colina,  constituindo a estação final de uma via sacra cujo início foi, em tempos, na Igreja de Santa Maria Maior.  Esta circunstância, associada ao padroeiro da capela, faz designar popularmente a elevação, bem como o bairro circundante, por Calvário. 

Além destas várias capelas e igrejas, há ainda a de Nossa Senhora das Brotas, localizada no interior do Forte de São Neutel, palco de animada romaria na Primavera; a de São Roque, situada no interior do ex-parque municipal de campismo; a do Senhor do Bom Caminho, no Campo da Fonte, já na saída para Espanha.
 
CAPELA DA GRANGINHA

É a igreja mais antiga da região Está situada no termo da freguesia de Valdanta, a cerca de 2 quilómetros de Chaves, na direcção sudoeste, sendo considerada imóvel de interesse público. É uma capela pequena e acanhada, mas muito bonita, toda construída em granito. A julgar por várias das suas características de pormenor, talvez tenha tido origem visigótica. O seu aspecto actual é, porém, românico, merecendo referência a traça simples e sóbria, bem como a porta do templo, na fachada principal.  Esta tem um arco de três arquivoltas muito decoradas, apoiadas em colunas cujas bases e capitéis estão também ricamente trabalhados.
 
CAPELA DE SÃO JOÃO BAPTISTA DA CASTANHEIRA

Também pertence ao grupo das igrejas construídas em estilo românico. Localiza-se em Cimo de Vila da Castanheira, e era tipicamente românica, com linhas sóbrias e simples, apenas cortadas pelas portas, ambas com arcos simples, de volta inteira, e pela cachorrada, que actualmente não existe, por ter caído todo o telhado do edifício. O seu interior, muito degradado, é de uma só nave, estando a capela-mor destacada. O arco que lhe dá acesso é de volta inteira e está decorado. Em volta, nas faces interiores das paredes, há muitos vestígios de pinturas a fresco, irremediavelmente danificadas. Esta igreja tem ainda o seu púlpito e a sua pia baptismal.

Porém, todo o interior do templo está em muito mau estado. Por toda a parte há muito entulho, nomeadamente pedaços de telhas e madeiramentos, que caíram do telhado. A torre, actualmente sineira, está separada do corpo principal da igreja pelo antigo cemitério.É de construção bastante mais tosca.  No seu interior já houve três pisos, agora destruídos. No piso superior houve sinos.  Talvez esta torre tivesse tido funções militares de defesa. Aliás, deve ter sido construída antes do resto do conjunto.
 
IGREJA DE SÃO JULIÃO DE MONTENEGRO

Talvez seja uma das igrejas melhor conservadas do concelho, para o que certamente contribui o facto de ser igreja paroquial.  Aliás, o que hoje existe, é o resultado de várias obras de restauro e remodelação do templo, levadas a cabo pela paróquia, ao longo dos séculos. Assim, a fachada principal, por exemplo, é muito mais recente que o resto da igreja, tendo-lhe sido acrescentada muito após a sua construção.

Além dela, porém, tudo o resto está construído no mais puro estilo românico; o edifício é pequeno, baixo e fechado, com apenas algumas reduzidas aberturas; é sóbrio e simples, tendo como únicos elementos decorativos os frisos laterais de cachorros, junto de cachorros, junto do telhado.  A porta principal, na fachada fronteira, nada tem de românico, ao contrário da lateral. O interior do templo é escuro e recatado. Conserva o solo originário, em lages de granito. Situa-se a 10 km de Chaves.
 
IGREJA DE NOSSA SENHORA DA AZINHEIRA

Fica junto de Outeiro Seco, a cerca de 3 quilómetros a norte de Chaves.  Já foi qualificada como um dos mais bonitos exemplares da arquitectura religiosa românica em Portugal. É uma igreja pequena e singela, como a generalidade dos templos românicos, As suas fachadas graníticas são muito sóbrias e têm poucas aberturas.  No topo, a toda a volta, tem graciosos cachorros, representando figuras geométricas, bem como antropomórficas e zoomórficas.

Tem duas portas de entrada, uma das quais lateral, muito simples, com um só arco de volta inteira.  Ao contrário, a porta principal é muito bonita.

O seu arco tem duas arquivoltas, suportadas por duas colunas de cada lado, cujos capitéis estão decorados também com motivos antropomórficos e zoomórficos.  Vale ainda a pena realçar a fresta do topo da ábside, que dá luz à capela-mor, também em arco e decorada.

No interior, de uma só nave, houve em tempos pinturas a fresco, provavelmente do século XVI.  Porém, em obras de restauro, algumas delas foram arrancadas e levadas, em painéis amovíveis, para museus de Guimarães, Porto e Lisboa. Alguns desses painéis, já restaurados, foram trasladados em 1986 para o Museu da Região Flaviense, em Chaves.

Esta igreja românica somente foi construída, com a forma actual, no século XV.  De facto, o românico predominou na região até esta época. Na sua construção participaram mestres canteiros vindos da Galiza. Durante cerca de um século, esta foi a igreja paroquial de Outeiro Seco, sendo depois a sede da paróquia transferido para a igreja de São Miguel, no interior da povoação.  Mais tarde, no século XVIII (l767), foram feitas grandes alterações que desvirtuaram um pouco o purismo românico do templo: foi construída uma galilé em frente da porta principal; por cima foi instalado um campanário; no interior fez-se um altar em talha dourada.  Todos estes enxertos foram extirpados, para devolver o edifício ao seu aspecto originário, que actualmente tem, em obras de restauro levadas a cabo pelos Monumentos Nacionais, em meados do nosso século.  A igreja foi classificada como imóvel de interesse público em 22 de Março de 1938.