
CASTRO DE CURALHA
Zona povoada desde a pré-história, o concelho de Chaves é rico em vestígios dessa época. Além das necrópoles, abundam as demonstrações de arte rupestre.
Mais significativos, porém, são os vestígios da ocupação celta deste território flaviense, o qual muito recebeu em herança daquele povo. Existem dezenas de castros de origem celta, espalhados por morros e colinas, aqui e ali.
No entanto,o melhor conservado é o Castro de Curalha. De todos os castros do concelho, é aquele cujas escavações e reconstruções foram mais completas e cuidadas, tornando-se, por isso, uma visita obrigatória. Fica a cerca de 400 metros de altitude, numa colina visível de muitos quilómetros em volta. Dista cerca de meio quilómetro de Curalha, aldeia atravessada pela Estrada Nacional nº 103 (de Chaves a Braga), a 7 quilómetros da capital do Alto Tâmega, fazendo-se o acesso, da Nacional ao castro, por estrada de terra. Está próximo do rio Tâmega, embora bastantes metros elevado, e está actualmente povoado por pinheiros e carvalhos.
O castro, instalado no topo de um morro, está dominado por um enorme pinheiro manso. Em volta dele há casas, semi-construídas ou pelo menos visíveis nas suas fundações. Rodeando estas construções, foi descoberta uma primeira cintura de muralhas, com um perímetro de cerca de 240 metros.
Toda ela se encontra visível, porque foi parcialmente reconstruída. De espessura, tem entre 2 e 3 metros. É atravessada por 3 portas. Além desta cintura existem outras, num total de pelo menos cinco. Destas, a segunda e a terceira também estão parcialmente descobertas e reconstruídas. Quanto às casas do seu interior, merecem especial menção duas: uma delas, mais elevada que as outras, construída sobre os rochedos do topo, poderia ter sido a habitação do chefe do clã deste castro; outra, de maiores dimensões, supõe-se ter sido uma casa de utilização colectiva, uma vez que fica em zona central. Esta poderá ter sido a casa de reunião do conselho dos ansiãos ou, de acordo com outras opiniões, a casa onde se reunia a juventude da aldeia, a quem ali era ministrada educação. Por toda a área têm aparecido pedaços de cerâmica, alguns dos quais romanos, o que faz concluir que este castro da Idade do Ferro foi mais tarde ocupado pelos romanos, que o romanizaram.
O actual estado de conservação do monumento é o resultado das campanhas de escavações que decorrem anualmente, em Setembro, desde 1974, as quais foram inicialmente orientadas pelo Professor Dr. Santos Júnior e pelo Dr. Francisco Carneiro (ambos já falecidos); são agora pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas. No entanto, o primeiro a tratar o castro de Curalha foi o Dr. António Júlio Gomes.